Não Era o Curso que Eu Queria: Como Entrei na Formação de Professores
Queria engenharia, mas a família não podia pagar. A minha entrada na formação de professores e o que aconselho a quem escolhe o curso este ano.
No secundário, eu era um aluno de ciências. Gostava de Matemática, tinha boas notas e já me via engenheiro, ou a trabalhar num banco, porque achava que um bom matemático tinha lugar garantido nesses sítios. Sonhava também com os institutos técnicos de renome e com as instituições privadas que toda a gente conhecia.
Não foi por aí que entrei no ensino superior. Entrei pela formação de professores, que para mim era o plano C. Isto foi há mais de 20 anos. Escrevo esta história agora porque as inscrições do IFP para 2027 estão abertas, e sei que muitos de vocês estão exactamente onde eu estive: a olhar para um curso que não era o sonhado e a perguntar se vale a pena.
A variável que pesava mais do que as notas
Ter boas notas não chegava. Havia uma variável que pesava mais do que todas as outras: a minha família não tinha condições para pagar mensalidades, nem para me manter num instituto ou numa universidade privada. Os planos A e B dependiam de dinheiro que não existia.
Não escrevo isto para fazer drama. Escrevo porque é a realidade de muitas famílias moçambicanas, e porque muitos estudantes escolhem o curso como se essa variável não existisse. Depois ficam pelo caminho a meio do primeiro ano, sem conseguir pagar.
Porque escolhi a formação de professores
A decisão veio de duas coisas. A primeira foi um amigo que tinha acabado de entrar na formação de professores e me contava como era. A segunda pesou muito na altura: quem terminava a formação tinha acesso directo ao emprego. Ninguém ficava de fora sem trabalhar.
Para quem não podia esperar anos por um diploma pago pela família, aquilo era um caminho concreto. Fiz a inscrição no fim de 2003 e os exames em Janeiro de 2004, para o Curso Regular (10.ª classe mais dois anos) do Magistério do Ensino Primário de Chibututuine, que hoje se chama Instituto de Formação de Professores (IFP) de Chibututuine. Os candidatos eram muitos e vinham quase todos das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.
O dia do exame
Os exames eram de Português e Matemática. Para mim, o dia foi quase divertido, e não porque o exame fosse fácil. Foi porque a minha preparação não começou quando saiu o edital: vinha a estudar continuamente desde o secundário, porque sabia que um dia teria de passar por um exame destes.
Terminei a prova de Matemática muito antes do tempo. Não te aconselho a fazer o mesmo. Se acabares cedo, usa o tempo que sobra para rever as respostas, uma a uma. No exame, cada minuto conta, e uma pergunta revista pode ser a diferença entre ficar dentro ou fora da lista. Explicamos como gerir o tempo no guia de gestão do tempo no exame do IFP.
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Senti-me feliz. Era uma página nova que se abria, e nunca pensei em desistir.
O primeiro ano foi espectacular. Sempre fui um estudante activo, com boas estratégias de estudo, e estive sempre do lado dos melhores, mesmo nas disciplinas de Letras, que não eram a minha área. O curso que eu não tinha escolhido em primeiro lugar acabou por ser um sítio onde me senti capaz.
E o salário de professor, aquele que me fez escolher o plano C, foi o que me ajudou a chegar onde estou hoje, mais de 20 anos depois.
O que mudou desde então
Há uma diferença importante entre a minha altura e hoje, e não quero que ninguém a ignore: já não há garantia directa de emprego para quem termina a formação de professores. Hoje, quem se forma tem de se candidatar distrito a distrito, quando abre concurso público para professores.
Isto não torna o IFP uma má escolha. Torna-o uma escolha que tem de ser feita de olhos abertos, com um plano para depois da formação.
O meu conselho: o curso de que gostas ou o que dá dinheiro?
A pergunta que mais me fazem é esta. A minha resposta pode não ser a que esperas.
- Escolhe um curso que dê dinheiro e que tenha potencial para empreender. Se não conseguires um emprego formal, consegues criar o teu próprio trabalho.
- Deixa as emoções de lado e olha para a situação da tua família. Se a família não tem condições para te sustentar nos estudos, e tu não trabalhas nem tens outra fonte de rendimento, o caminho mais inteligente é o mais prático: aquele que, mais depressa, põe dinheiro na tua mão.
- O caminho prático não mata o sonho. Pode ser a ponte para lá chegar. Foi o meu caso: o plano C pagou o resto do caminho.
Se ainda estás a decidir entre um curso médio e um superior, vê também o nosso guia sobre instituto médio ou universidade.
Se vais concorrer ao IFP este ano
O edital IFP 2027 já saiu: as inscrições decorrem até 30 de Outubro de 2026 e os exames são a 7 e 8 de Janeiro de 2027. Para não perderes a vaga por um pormenor:
- Lê o edital IFP 2027, com as vagas por província e os requisitos.
- Evita os erros de inscrição que tiram a vaga no IFP.
- Treina com os exames de admissão do IFP resolvidos e vê quantas perguntas precisas de acertar.
- E, sobretudo, começa a estudar hoje. A minha preparação não começou com o edital, e foi isso que fez a diferença.
Qual é o Valor de X? | Questão 33 do Exame IFP 2025 – Matemática Resolvida
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Psicólogo Educacional e docente em Moçambique há mais de 20 anos. Criador da Metodologia de 3 Ciclos, dedico-me a ajudar estudantes a prepararem-se para exames de admissão e concursos públicos.
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